Fluidização

Guia completo e didático sobre fluidização: conceito, fundamentos, regimes de escoamento, classificação de Geldart e aplicações industriais.
Dafratec
Por: Dafratec | Em 11/02/2026 | Termo
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Fluidização: conceito, fundamentos e aplicações industriais

O que é fluidização

Fluidização é o fenômeno físico no qual um leito de partículas sólidas passa a se comportar como um fluido ao receber um fluxo ascendente de gás ou líquido. Quando a velocidade do fluido é suficiente para que a força de arrasto supere o peso das partículas, o leito se expande e as partículas entram em suspensão, adquirindo mobilidade semelhante à de um líquido em ebulição.

Como ocorre a fluidização
Imagine um recipiente com areia fina. Com o ar parado, as partículas estão em repouso (leito fixo). Ao soprar ar pela base, a areia se movimenta, expande e, a partir de determinada velocidade, borbulha como um líquido fervente. Este é o ponto de fluidização mínima.

Fundamentos da fluidização

Velocidade mínima de fluidização (Umf)

A velocidade mínima de fluidização é a menor velocidade superficial do fluido capaz de iniciar o processo. Seu valor depende do equilíbrio entre:

  • peso das partículas
  • força de arrasto do fluido
  • porosidade do leito

Fatores que influenciam a Umf: tamanho e densidade das partículas, viscosidade e densidade do fluido, temperatura e pressão do sistema.

Classificação de Geldart

A classificação proposta por Geldart é referência para prever o comportamento da fluidização conforme as características das partículas.

Grupo A – Aeráveis

Partículas entre 30 e 100 µm, baixa densidade. Fluidizam suavemente, com expansão homogênea antes da formação de bolhas. Exemplos: catalisadores de craqueamento, farinhas.

Grupo B – Borbulhantes

Partículas entre 100 e 800 µm. A fluidização inicia com formação imediata de bolhas, sem expansão homogênea significativa. Exemplos: areia, sal, açúcar.

Grupo C – Coesivas
Partículas inferiores a 30 µm. São coesivas, formam canais preferenciais e não fluidizam adequadamente. Exemplos: talco, amido, pigmentos.

Grupo D – Granulares grandes

Partículas acima de 800 µm, densas. Formam jatos e esguichos, exigindo altas velocidades. Exemplos: grãos, pellets, minérios.

Regimes de fluidização

Leito fixo

Velocidade inferior à Umf. O fluido escoa pelos interstícios sem movimentar as partículas. A perda de carga aumenta linearmente com a velocidade.

Fluidização incipiente ou mínima

Ponto exato em que as partículas começam a suspender. A perda de carga iguala o peso do leito dividido pela área.

Fluidização borbulhante

Regime mais comum em aplicações industriais. Bolhas de fluido formam-se na base, crescem e rompem na superfície, promovendo intensa mistura.

Fluidização turbulenta

Em velocidades elevadas, as bolhas se rompem e o movimento se torna caótico. Há transição para transporte pneumático.

Fluidização rápida e transporte pneumático

Partículas são carregadas para fora do leito, exigindo reciclo. É o regime utilizado em reatores de circulação.

Vantagens e desvantagens

Vantagens

Temperatura uniforme

A agitação intensa elimina gradientes térmicos, condição ideal para reações sensíveis.

Alta transferência de calor e massa
Os coeficientes de transferência são de 5 a 25 vezes superiores aos obtidos em leitos fixos.

Facilidade de manuseio

O leito comporta-se como líquido, permitindo escoamento contínuo por gravidade.

Adequação a grandes escalas

Reatores de fluidização processam continuamente volumes expressivos.

Desvantagens e desafios

Erosão de equipamentos

Partículas em alta velocidade desgastam paredes e componentes internos.

Arraste de partículas finas

A elutriação de frações finas exige sistemas de reciclo ou filtração.

Escala e projeto complexos

A ampliação de escala (scale-up) ainda depende de correlações empíricas e apresenta desafios.

Atrito e cominuição

Partículas podem fraturar ou desgastar-se, alterando a fluidodinâmica do leito.

Aplicações industriais

Indústria petroquímica e de processos químicos

Craqueamento catalítico fluidizado (FCC)

Processo central em refinarias. O catalisador finamente dividido circula entre reator e regenerador, convertendo frações pesadas em gasolina e GLP.

Reações de oxidação e cloração
Produção de anidrido maleico, EDC (dicloroetano) e outros intermediários químicos.

Geração de energia e meio ambiente

Combustão de carvão em leito fluidizado

Tecnologia com menor emissão de SOx e NOx, obtida pela adição de calcário diretamente no leito.

Gaseificação de biomassa e resíduos

Conversão termoquímica de materiais orgânicos em gás combustível.

Incineração de lodos e resíduos industriais

Queima eficiente com recuperação de energia.

Indústria farmacêutica e alimentícia

Secagem em leito fluidizado

Método rápido e uniforme para granulados e pós. Leitos vibratórios auxiliam no processamento de materiais coesivos.

Granulação e recobrimento

Formação de grânulos e aplicação de filmes protetores sobre partículas.

Resfriamento de produtos granulares

Cereais, rações e fertilizantes são resfriados com eficiência.

Metalurgia e mineração

Tostação de minérios

Oxidação controlada de sulfetos metálicos em reatores de leito fluidizado.

⚠️ Atenção

As informações apresentadas nesta página têm caráter educativo e informativo, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre técnicas e princípios de análise utilizados na pesquisa científica e na indústria.

O conteúdo não representa necessariamente o catálogo comercial da Dafratec, nem constitui uma oferta direta de produtos, equipamentos ou serviços.

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